segunda-feira, 24 de maio de 2010

Agora



Linda vida que corre...
Grita e geme.
Doida vida que encanta e dança entre o som que ninguém mais ouve.
Entre as cores que poucos enxergam.
Querida vida que pulsa ferve e lateja numa veia que já estava secando.
Vida de girassol de beleza de pudim e maionese...
Vida que socorre na noite fria de instinto e poesia.
Viagem de uma vida.
Vida em forma de uma viagem.
Nada a declarar neste momento.
Somente o desejo de viver de amar e sonhar.
Pois é, você me conhece, começo de uma jeito, vou terminando de outro.
Nada que faço é comum aos olhos dos comuns.
Por isso você me entende.
Entende que eu não sou fácil.
Sou indócil.
Uma mulher das montanhas, um bicho do mato.
Mas sou o amor em seu estado bruto, sólido e cálido.
Amanhã a noite posso não estar mais aqui para te amar, mas mesmo assim
sentirás minha presença, meu sabor ácido em sua boca seca.
Sentirá um vento que carrega meu cheiro e transporta minha saudade.
Lá pelas tantas ouvirás o som do silêncio.
Perceberá que a vida pode trazer, mas ela também pode levar.
A vida é a vida.
É a graça e a ousadia de viver e querer sempre...


Beijos

Rê Pinheiro

sábado, 8 de maio de 2010

Ser mãe






Sempre desejei ser mãe, mas na verdade sentia medo de ser.
Achava que as mães eram dotadas de super poderes secretos, aquela coisa meio Mulher Maravilha que tem aquele cinto mágico e que pode fazer tudo sempre...
Olhava minha mãe e tentava decifrar qual era a fonte de seus conhecimentos infinitos.
Como ela conhecia tantas coisas sem ter tempo de sair de casa?
Como ela era capaz até de saber a previsão do tempo pois quando eu ia para Colégio ela já me dava a blusa de frio antes mesmo do frio chegar.
Ela era única, ela sabia o que eu pensava antes mesmo de eu pensar.
Me escutava muitas vezes sem eu precisar falar.
Tinha aquela visão biônica que enxergava as artes que eu fazia através das paredes.
Meu Deus como minha mãe era incrivel.
Ela era uma mistura de tudo de todas as profissões.
Era médica, psicologa, cozinheira.
Uma das maiores advogadas de defesa que já conheci. Soube me livrar de grandes encrencas... rs
Tinha habilidade de criar, reinventar e orientar.
Ela era sábia, única e ainda saber fazer o melhor carinho do mundo.
Seu colo era paz e toda a sensação de conforto e segurança.
Me lembro daquele olhar de contemplação de orgulho quando tirava notas altas.
Me sentia a melhor pessoa da terra.
E quando eu não conseguia, ela estava lá com o mesmo olhar.
Falando com os olhos: " Não faz mal, te amo do mesmo jeito".
Com o passar dos anos a vida foi tomando caminhos...
Por um longo tempo nos separamos por conta das adversidades.
Uma separação na carne, não no espirito.
Passei a compreender a dor da saudade.
Mas o tempo se encarregou de amenizar e transformar.
Me trouxe ela novamente.
Eu já não era criança e agora enxergava em seus olhos o peso das noites mal dormidas.
O cansaço das febres que tive.
A face da idade.
As marcas do tempo.
Tudo se transformava, menos o amor que ela sentia.
Ah! Como eu queria um dia ser como ela.
Como desejei um dia ouvir o som da voz de uma criança me chamando de mamãe.
E no dia 29 de Abril de 2006 meu desejo ganhou um nome.
Giovanni
Minha vida, dando vida e um anjo, um imenso presente enviado de Deus.
Seu olhar já me reconhecia como mãe, não precisei ouvir para sentir.
E naquele instante descobri como era nos era concedido todos os poderes.
Eu aprendi a reconhecer os choros, decifrar seus sorrisos.
E ele daquele tamanhinho me fazia forte.
Meu Deus como é bom ser mãe.
Como é delicioso se sentir mãe.
É maravilhoso crescer novamente com meu filho.
Ser criança com ele.
É apaixonante brincar, deitar e rolar.
Nada se compara a alegria de ouvir o " EU TE AMO MAMÃE"
E ver ele me olhando com o mesmo olhar que eu olhava minha mãe quando pequena.
Hoje minha vida se resume e fazê-lo feliz e ser quem sabe uma mãe da qual um dia ele se orgulhe.
Ainda tenho muito que percorrer, muito que aprender e ensinar.
Não pensem que quando ganhamos poderes a vida se torna mais fácil, ledo engano. Ai é que ela se torna mais complexa, pois ser mãe não é para qualquer uma.
Ser mãe de verdade requer devoção, uma paciência única e sem limites.
Ser mãe é necessário na maioria das deixar de lado seus desejos, abrir mão de vontades.
Ser mãe é conhecer o amor em seu estado mais sólido e mais sublime.
Ser  mãe é ser aquela que terá sempre uma prioridade maior que tudo em sua em vida.
Ser mãe é carregar no peito esta alegria sem igual de amar.
Meu filho me fez enxergar um mundo que até então jamais ousei sonhar que pudesse existir.
Um mundo onde nossa alegria tem nome, endereço e nos chama de mamãe.



Agradeço.

Mas agradeço mesmo de alma, por esta dadiva de ser mãe e por esta honra de ter a minha mãe.

Feliz Dia das Mães...

Beijos

Rê Pinheiro